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Especialidade Nós e Amarras - (Parte I)

16/01/2011.

INTRODUÇÃO:


NUNCA ESQUECER: Sua vida ou de outros, pode depender de um nó.
Por isso faça-os BEM FEITO e tenha muita ATENÇÃO ao utilizá-los.

ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DAS CORDAS
A princípio as suas fibras eram torcidas em feixes, como as cordas náuticas, porém a desvantagem era o grande atrito que geravam. Décadas se passaram para que os fios finalmente fossem trançados em espiral na forma de uma capa que envolvia uma alma, também formada de fios torcidos, trançados ou lisos. Aí é que está a principal diferença entre as cordas estáticas e dinâmicas.
Nas cordas estáticas os fios da alma são lisos (fig.1), dando-lhe a elasticidade natural do nylon 1 ou 2% ao peso médio de uma pessoa. Já nas cordas dinâmicas os fios são um conjunto de cordinhas torcidas ou trançadas (fig.2), e este é o segredo para a absorção de choques, com a elasticidade de cerca de 5% a 10% ao peso de uma pessoa normal. 
Cordas & Nós


Fig. 1
Fig.2

Uma corda possui três componentes que são: fibras, fios e cordões. Os fios são feitos por traçado das fibras, os cordões por traçado de fios e a corda por traçado dos cordões. As cordas podem ser de fibra vegetal, como: manilha, sisal, cânhamo, algodão, linho, pita, cairo, etc., fibra mineral: zinco, cobre, aço, aço inox, etc., e as sintéticas: nylon, perlon (que nada mais é que o nome fantasia para o nylon tipo 6), dacron, spectron, poliamida, polipropileno, polietileno, poliester, kevlar, etc.) estes tipos de cordas são mais maleáveis, têm uma resistência maior a abrasão, excelente capacidade de absorção de choques, e ponto de fusão relativamente alto.

São muito empregadas em acampamentos, na marinha, por montanhistas, espeleólogos, e importantíssimo em operações de resgates. Muitas vezes, uma vida pode depender de um nó “bem feito”. No uso de cordas, haverá necessidade da fazer nós, quer para amarrações, quer para emendas, quer para içar ou outros fins. Daí a importância de se saber alguns nós. Um bom exercício consiste em faze-los com as mão atrás das costas ou de olhos fechados para memorizar.

Vários fatores influenciam na nomenclatura dos nós, tais como: por qual nome ele é conhecido numa determinada região, país, etc.; quem foi o criador (as vezes leva o nome de quem o criou); em que meio ou atividade é usado; etc. Em muitas ocasiões não havendo uma concordância quanto ao nome correto.

Podemos citar alguns exemplos:

1 - Nó de pescador ou Nó de inglês; 2 - Calabrote ou Nó de abôço ou Nó do artilheiro; 3 - Nó d’água ou Nó de fita ou Nó duplo; 4 - Nó de borboleta ou Nó de alpinista ou Borboleta alpina; 5 - Nó de barraca ou Nó kanoê; 6 - Volta do salteador ou Nó de fuga; 7 - Nó de trapa ou Nó de ábita; 8 - Nó auto-block ou Nó de Bachman (seu inventor); 9 - Nó Prusik (seu inventor) ou Nó Prússico; 10 - Balso de calafate ou Nó francês; 11 - Catau do marinheiro ou Cadeira de bombeiro; 12 - Volta do fiel ou Nó de porco ou Nó de barqueiro; 13 - Nó de contração ou Nó constritor; 14 - Nó em oito ou Nó em oito singelo ou Volta de fiador; 15 - Encapeladura singela ou Volta de singela ou Nó de algema; 16 - Nó UIAA ou Nó de Munter (seu inventor) ou Meia-volta de fiel; 17 - Escada de quebra-peito ou Nó de escada; 18 - Nó quadrado duplo ou Nó quadrado com três alças; 19 - Balso americano ou Nó espanhol; 20 - Lais de guia ou Nó de bolina; 21 - Volta da ribeira ou Nó de vigamento; 22 - Nó de forca ou Nó de carrasco, e tantos outros.

NOMECLATURAS:

Agulha: Instrumento de madeira ou plástico, usado na confecção de redes de pesca e outros tipos de entralhamento.

Alça: É uma volta ou curva em forma de “U”, feita com uma corda.

Aduxamento: Ato de enrolar uma corda, para que facilite o manuseio.

Ajustar um nó: Apertar um nó.

Anel: É a volta em que as partes de uma corda se cruzam.

Bater uma corda: Ato de desfazer as cocas de uma corda.

Bitola: Diâmetro de um cabo, corda.

Cabo solteiro: É uma corda de 3 a 6m de comprimento, geralmente de 6 a 9mm de diâmetro, usado para assentos de escaladas, segurança individual, tracionamento de cordas, condução de material de escalada, em acampamentos, em embarcações, etc.

Chicote: São os extremos livres de uma corda.

Costura: Trabalho feito nos chicotes de dois cabos para os unir definitivamente ou num cabo apenas para fazer uma mãozinha.

Cocas: São voltas ocasionais que aparecem em uma corda.

Cocar: Gastar a corda pelo atrito contra uma superfície áspera.

Cote: É uma volta simples em que uma das partes do cabo morde a outra.

Descochar: Separar os cordões de um cabo para o desfazer.

Espicha: Instrumento para trabalhar as cordas. Usa-se para alargar os cordões

Firme: É a parte que fica entre o chicote e a extremidade fixa da corda.

Falcaça: É a união dos cordões dos chicotes de uma corda por meio de barbante ou fogo no caso de fibras sintéticas. Impede que os chicotes desmanchem e facilita o manuseio das cordas.

Morder: Prender uma corda por pressão, seja com outra corda ou qualquer superfície rígida.

Permear: Prender uma corda ao meio.

Pinha: Espécie de cabeça de cordões entrelaçados geralmente nos chicotes.

Retinidas: Cordas de 5 a 6mm de diâmetro, usadas para trabalhos auxiliares.

Sapatilho: Aro em meia-cana de forma oval para reforço das alças.

Seio: É a parte central de uma corda.

Safar uma corda: Liberar uma corda quando enrolada.


CURIOSIDADES
O aparecimento dos nós

O aparecimento de nós iguais em partes diferentes do globo leva-nos a concluir que alguns deles foram descobertos isoladamente. Julga-se que já eram usados na pré-história pelos homens das cavernas. O nó mais antigo que se conhece foi descoberto em 1923 numa turfeira (jazida de fósseis) na Finlândia e cientificamente datado de 7.200ac. Também sabe-se que os antigos Gregos, Egípcios e Romanos usavam nós com alguma complexidade nas construções de edifícios, pontes e fortificações pelo que não é correto julgar que apenas os marinheiros são detentores desta arte. No que diz respeito ao seu uso na marinha existem registos escritos pelo menos desde o séc. XVII, mas desenhos e figuras mostram que o seu uso é muito anterior a este período.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE CRUZEIROS, Lisboa, Portugal.

O nó Górdio

Conta uma lenda que um agricultor chamado Górdias veio a ser rei da Frígia, às margens do Mar Egeu, porque um oráculo da cidade predissera que tal rei, esperado pelo povo, chegaria em uma carroça e a amarraria em frente ao templo com um nó “impossível de ser desatado”. Quando isso aconteceu e Górdias, o autor de tal nó, foi eleito rei, começaram novos boatos afirmando que aquele que conseguisse desatar o nó Górdio seria imperador da Ásia.

Muitos tentaram, sem êxito, até que um rapaz que por ali passou, também falhando, cortou o nó com sua espada. Anos depois, esse rapaz viria a ser temido por muitos povos, tornando-se um dos imperadores mais conhecidos da História. Era Alexandre, o Grande.

HAMILTON, E. A mitologia. Lisboa, Ed. Dom Quixote

O nó Prusik

Ele leva o nome do Dr. Carl Prusik, professor austríaco de música. Ele o inventou na Primeira Guerra Mundial, era usado para reparar os fios dos instrumentos musicais. Em 1931 ele mostrou-o ao público montanhista, explicando como poderia ser usado para auto-salvamento. Hoje em dia é bastante empregado no meio montanhístico. Em geral os cordeletes usados têm um diâmetro entre 1/2 e 2/3 da corda-guia. Para cordas com 10,0 - 10,5 - 11,0 - 11,5 - 12,0mm de diâmetro, os cordeletes de 5,0 - 5,5 - 6,0 - 6,5 - 7,0mm são mais indicados.

BUDWORTH, Geoffrey. The Ultimate Encyclopedia of Knots e Ropework. London, Ed. Lorenz Books, 1999. 122p.

O nó U.I.A.A. ou Nó de Munter ou Meia-volta de fiel

Este nó leva o nome do homem que o apresentou na Itália, em 1974, para a convenção da União Internacional das Associações de Alpinismo, o escalador suíço Werner Munter. É um método protetor concordado por todos, onde a corda atravessa o mosquetão para parar a escalada do montanhista. Sendo que é mais comumente empregado em todo o mundo, o nome “nó U.I.A.A.”
 
O Lais de guia

O nó da clássica historinha da palmeira atrás do poço, e da cobra que sai do poço para fazer xixi atrás da palmeira e volta para o poço. Esta historinha é contada para ajudar a fazer o nó, é uma forma engraçada de memorizá-lo.

Resistência de um nó

Um nó faz uma corda perder a sua resistência. Mas se o nó é apertado, e o componente a que ele se encontra em contato também for e ficar-se atritando nele, haverá mais ainda riscos, de forma que poderá haver ruptura da corda e isto fora do nó. Muitos nós diminuem a resistência das cordas, alguns destes diminuem a resistência da corda para 45% da sua capacidade, aqui temos alguns exemplos:

Nó de barril 80%

Nó de fateixa 75%

Volta da ribeira 70%

Volta redonda e cote 70%

Nó em nove 70%

Nó de correr 65%

Lais de guia 60%

Volta do fiel 60%

Volda de fiador duplo 60%

Nó de escota singelo 55%

Nó direito 45%

Meia-volta 45%

MARINHARIA, Ministério da Marinha, Diretoria de Portos e Costas. Rio de Janeiro, 1983. 75 p.
 
ALGUNS NÓS USADOS EM  CLASSES AGRUPADAS
 
AMIGO:
 
Nó direito

Nó direito: Pouco utilizado para unir cabos de mesmo diâmetro, tendo cuidado na sua utilização, o mesmo deve estar com um arremate de cada lado para que não se desfaça.  

Nó simple ou nó de Fita
Nó de fita ou Nó Simple: Nó extremamente seguro, usado para emendar cabos de mesmo diâmetro. Estes podendo até estar molhados; e para fitas tubular é o nó mais empregado por não "maltratar" a mesma.

 
Nó Catau

Também usado como cinto cadeira, podendo ser para salvamento e outras atividades. 
Catau do marinheiro ou Cadeira de bombeiro:
Nó de Cirurgião

Usado para emendar cabos de mesmo diâmetro, secos ou molhados com segurança. Bastante empregado no canyoning.
Nó de cirurgião:


Lais de guia Duplo

 Lais de guia duplo: Usado para fazer uma ancoragem dupla, em seguranças móveis ou fixas, em dois grampos por exemplo. Serve também para salvamento de vítimas.

 No de Escota

Nó de escota singelo: : Usado para unir cabos de diâmetros iguais ou diferentes; pode ser feito em volta de uma argola, gancho, braçadeira, etc.



Nó torto ou Nó Esquerdo:



 
Nó de pescador ou nó Inglês

Usado para emendar cabos de diâmetros iguais ou diferentes.
Nó de pescador ou Nó de inglês:


Conhecido no clube como Nó Ordinario

Calabrote ou Nó de aboco ou Nó do artilheiro: Usado para unir cabos de mesmo diâmetro e cabos de aço.


Volta da ribeira

Volta da ribeira ou Nó de vigamento: Serve para içar objetos, principalmente pesados, sendo desfeito facilmente; feito em volta de um tronco, e outros materiais por exemplo.



Volta da fiel

Usado para içar objetos, tendo cuidado na sua utilização; em amarrações diversas, construções de abrigos, pontes, etc. Aqui feito de duas maneiras; uma pelo seio e outra pelo extremo da corda.
Volta do fiel ou Nó de porco ou Nó de barqueiro:



 
 Lais de Guia Simples
 Lais de guia ou Nó de bolina: Forma uma alça de qualquer tamanho, usado para içar objetos; não é aconselhável como segurança individual do montanhista, nem como ancoragem, por apresentar os riscos às trações laterais feitas no balso do nó, possibilitando desfazer o aperto e desmanchar o nó.; também para equalizar um outro nó.


Veja mais nós na parte II Click aqui

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